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Em briga de marido e mulher é importante "meter a colher"

  • Foto do escritor: Gabriel Lasry Benchimol Lanza
    Gabriel Lasry Benchimol Lanza
  • 8 de ago. de 2018
  • 2 min de leitura

Atualizado: 21 de dez. de 2021

Depois de Tatiane Spitzer, de 29 anos, ter sido encontrada morta após cair do quarto andar de onde morava, em Guarapuava (PA), seu marido – Luís Felipe Manvailer, de 29 anos - surge na cena como suspeito de tê-la matado e cometido um ato de femicídio - Tatiane morreu em suas mãos por ser mulher. Foram registrados vídeos de agressões na garagem e no elevador do prédio onde moravam, cenas que retratam o cotidiano de muitas mulheres, um cotidiano onde seus maridos as tentam controlar pela força física e psicologica, por terem a ideia de que “o papel da mulher é ser submissa”, acreditam que a mulher é um ser frágil e ao mesmo tempo que para solucionar um problema qualquer, basta “umas pancadinhas”.

Uma reportagem publicada essa segunda feira, 06 de agosto, pela BBC Brasil consta uma entrevista com Teresa Cristina Cabral Santana, juíza integrante da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de SP diz sobre o porquê é importante o papel dos vizinhos nessa situação: uma intervenção nessas horas não é comum, mas pode salvar uma vida, diz a juíza.

E ainda diz mais: “O que a literatura nos traz é que isso acontece por motivos culturais, é o velho ditado: "em briga de marido e mulher não se mete a colher". As pessoas se negam a comparecer na delegacia para prestar depoimento, se negam a ser testemunha das vítimas. De ordinário, a violência acontece no âmbito doméstico. As pessoas em geral acham que vai passar, que logo mais a briga vai acabar. Mas não vai, não passa. ”

A tendência para ela, quando o agressor nota que há testemunhas, é diminuir a violência – o que pode dar tempo da vítima fugir ou fazer algo. Muitas vezes questionamos o porquê de a vítima não fazer algo, não reagir.... Nesse ponto comenta mais a juíza: “A vítima da violência doméstica, inserida no ciclo da violência, não consegue reagir. Muitas desenvolvem até síndrome do desamparo aprendido [situação em que vão sendo retiradas condições psicológicas para que a pessoa reaja]. Numa situação extrema, em que a mulher está sendo agredida, a intervenção tem que acontecer. Não é algo que o casal tem que resolver sozinho, entre quatro paredes. Bater na porta, chamar o porteiro, o síndico.” (…) “Um pedido de socorro, por exemplo, não pode ser ignorado. Em geral, a violência doméstica faz barulho. Há objetos quebrados. Tem uma série de coisas que vizinhos podem fazer: acender e apagar a luz, bater na porta, tocar o interfone. Pode-se avisar, chamar porteiro ou segurança para irem junto. No mínimo, os vizinhos têm que chamar a polícia. Se você ouve um pedido de socorro, não pode esperar para ver o que vai acontecer.”.

Há que se mudar essa cultura machista, aonde os homens possuem um apoio estrutural onde se sentem confortáveis ao agredirem suas companheiras, mas isso é algo que leva tempo, uma mudança lenta e gradual. Casais brigam, nenhuma relação é perfeita, mas muitas vezes intervir em uma briga alheia pode ajudar a salvar a vida de um desconhecido – ou nesse caso, de uma desconhecida.

Leia mais no link: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45092155


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